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Entrevista concedida a revista Sorveteria e Confeitaria Brasileira (N˚ 194 - 2010).*


- O presidente: Minha História com a sorveteria começou em 18 de dezembro de 1975, quando abri a sorveteria Macapá enfrentamos muitas dificuldades na época. Só para se ter uma idéia levamos 2 horas para produzir 10 litros de sorvete. O maquinário era com salmoura, grande no tamanho mais de pouca produção. Ate mesmo para retirar as poupas de frutas tudo era feito manualmente.

Querendo crescer, viajei ate Manaus em busca de equipamentos mais modernos. Nesta minha ida, veio para Macapá o seu Luiz Albertini, vendedor da Carpigiani. Em outubro de 1984 compramos a primeira maquina Carpigiani.

Em 28/02/1986 o Governo Federal lançou o plano cruzado unificando os preços dos produtos em todo território nacional. Com a redução dos preços da matéria prima e os preços de sorvete congelados, os lucros aumentaram mais de 600% percebi que poderia haver um desabastecimento de leite e açúcar e outros produtos no mercado. Brincando, falei com minha esposa que Deus escreve certo por linhas tortas. Tinha chegado a hora de crescermos. Retirei o dinheiro a poupança, comprei 1200 caixas de leite e 10 toneladas de açúcar, matérias-primas primordiais na fabricação de sorvetes e que ainda não fabricamos. Comprei mais uma maquina Carpigiani e abrimos pontos de vendas.

Em 20 dias começou a faltar produtos. Como havia matéria prima em estoque, tínhamos condições de abastecer os pontos de venda. As vendas aumentaram tanto que deu para comprar um ponto bem ao lado. Como o negócio começou a dar bons lucros, em 1991 mudei a razão social da empresa de J.C. Ferreira para Sorveteria Macapá LTDA.

Até março de 1993 os negócios iam bem, e neste período minha esposa e eu estávamos com passaporte e passagem agendada pronto para visitar a SIGPE na Itália. Tínhamos um bom dinheiro guardado na poupança e estoque de 70 toneladas de diversas poupas de frutas armazenadas em câmara frigorífica. Quando de repente houve falta de energia elétrica. Entrei em desespero e tirei o dinheiro da poupança, comprei um gerador de grande capacidade e quando terminei de instalar a energia normalizou, perdi todo dinheiro da poupança e as 70 toneladas de frutas. Como não bastasse perdi o estimulo de trabalhar.

Em 20/11/1999 fui convidado para fazer um curso de turismo no SEBRAE. Andando pelo corredor, encontrei o diretor financeiro de nome Alvarenga, que me convidou para participar de uma palestra sobre o EMPRETEC. Neste curso vi os erros que havia cometido e porque de muitas empresas fecharem as portas. Fazer o EMPRETEC foi uma injeção de revitalização e de animo. Reuni toda minha família e comuniquei que iríamos continuar com a sorveteria mas de outra forma: primeiro nos capacitar, planejar e só então tocar o negócio, passamos a participar de cursos, palestras, feiras de convenções e seminários buscando conhecimento e aplicando na empresa. Os negócios começaram a melhorar em 2000, entramos com um pedido no INPI para a concessão da marca QSABOR! Com o slogan Delícias da Amazônia. Em 2002, criamos um sindicato.

Em 2006, o Ministério do Trabalho concedeu a Carta Sindical como CNE Sindicato da Industria Alimentar de Congelados, Supercongelados, Sorvetes, Concentrados e Liofilizados no Estado do Amapá – SINDCONGEL, no qual sou presidente e sou conselheiro da Federação da Indústria do Amapá (FIEAP). Através do sindicato passamos a ter bastantes informações de todas as áreas industrias.

De 2004 a 2006, conseguimos colocar os negócios no trilho. Em 2004 participamos do AMAZONTEC Curitiba pelo SEBRAE. Levei para expor diversos sabores entre eles o sorvete que chamei “Coisa Nossa”, uma mistura de açai, farinha de tapioca e camarão, alimento típico da região. Isso nos deu grande divulgação. Em 30/09/2004, a QSABOR! Foi publicada na revista Pequenas Empresas Grandes Negócio.

A Amazônia possui uma vasta variedade de frutas e quase todas são medicinais. A maioria dos sabores de nossos sorvetes são de frutas. Temos 60 sabores nos expositores para servir as clientes e os mais consumidos são açai, farinha de tapioca, cupuaçú, bacuri, tucumã, taperebá, graviola, mangaba, muruci, pupunha, camu-camu, coco, buriti e gengibre com mel. Em 2006, a empresa concorreu ao premio FINEP de Inovação Tecnológica disputando com o sorvete gengibre com mel.

Em 2009 a empresa participou do premio CNI de Inovação Tecnológica, concorremos com o sorvete de açai e cupuaçú ZERO DE AÇÚCAR. Ficamos classificados entre os 50, havia mais de 4 mil empresas de todo o pais participando. Neste mesmo ano, a empresa concorreu o MPE Brasil Premio de Competitividade para Micro e pequena Empresa promovido pelo SEBRAE, MBC, FNQ, CNI E o Grupo Gerdau. Nós Fomos classificados em primeiro lugar no seguimento alimentar, depois fomos para Brasília para concorrer ao Prêmio Nacional onde mais de 58.000 empresas de todo pais estavam participando, apenas 17 eram classificadas por seguimento, eram (9) seguimentos e ficamos entre as 153 empresas classificadas.